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Conheça a Rosangela

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Conheça a Rosangela
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Apaixonada por crianças, Rosângela Fortes, de 40 anos, sonha em ser pedagoga, herança dos tempos em que trabalhava como babá. Mas teve que postergar o plano quando nasceu Raphael, seu único filho, hoje com 14 anos. De lá para cá, assumiu diversas funções e desde 2016 trabalha como ajudante de cozinha em um badalado boteco no bairro do Itaim, em São Paulo. “Sou responsável, entre outras coisas, pela produção dos mais de 1,7 mil dadinhos de tapioca que semanalmente fazem a sensação dos clientes da casa”, orgulha-se Rosângela, sempre bem-humorada.

Ela não perde o humor nem mesmo quando tem de enfrentar as quase 4 horas diárias nos ônibus que a levam de casa ao trabalho e a trazem de volta. “Nos dias que entro às 18h, saio de casa às 15h, porque o trânsito nesse horário é muito ruim. Na madrugada é bem mais rápido, cerca de 1 hora”, diz a ajudante de cozinha, moradora do Jardim Noronha, extremo sul da capital paulista.

Há três anos fazendo esse trajeto, ela se sente segura nesse ir e vir, mesmo tendo de pegar três ônibus para retornar à sua casa. “Nunca vi nada de ruim acontecer e os motoristas e cobradores são todos muito atenciosos”, elogia Rosângela.

Mas nem sempre foi assim. A casa onde mora com seus pais e o filho fica depois do Terminal do Grajaú e, durante os primeiros meses no restaurante, ela dormia no terminal, esperando o dia amanhecer para pegar o transporte que a levaria para casa. “Até que há pouco mais de dois anos, eu soube do circular noturno que tem ponto final no Jardim Noronha, muito perto da minha casa. E os motoristas fazem um retorno extra pra me deixar ainda mais perto”, explica. “Isso facilitou muito minha vida”.

Isso só foi possível graças ao serviço Desembarque Especial, regulamentado pelo Decreto Municipal 57.399/16. Com essa iniciativa, mulheres, idosos, travestis e transexuais podem optar pelo local mais seguro e acessível para desembarcar entre as 22h e 5h. Durante esse período, os motoristas param em qualquer lugar do trajeto, mesmo que não seja num oficial. A regra não vale para corredores exclusivos.

Com isso, atualmente, mesmo nos dias que chega em casa quase 4 horas da madrugada, a ajudante de cozinha consegue dormir, acompanhar Raphael na ida à escola e tocar sua rotina. E não foram apenas algumas horas de sono a mais que Rosângela ganhou com a descoberta do circular noturno. “Hoje, tenho vários amigos no ônibus. São Paulo não para, então, gente que trabalha em hospitais, restaurantes, transporte, todos eles utilizam o serviço e a gente acaba se conhecendo”, recorda ela. “Até os motoristas e cobradores são grandes amigos. Recentemente saí de férias e todos ficaram falando das saudades que iam sentir.”