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Mulheres de São Paulo

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Conheça a Aline

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Conheça a Aline
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Muita gente acha que luta não é coisa de mulher. Talvez não saibam que as mulheres são feitas de luta.

“O peso da criação dos filhos, de acertar ou de errar, vai sempre pra mulher”, diz a vice-campeã mundial de luta olímpica e primeira medalhista brasileira da modalidade, Aline Silva, 32.  Ela se refere à cobrança que, mesmo aos 11 anos, sentiu sua mãe receber ao criá-la sozinha. Justo dona Lídia, sua maior inspiração e “fundamental” em sua trajetória, foi acusada de não a educar bem. Isso porque foi com essa idade que Aline começou a matar aula escondido e, um dia, na rua, bebeu até ficar em coma alcoólico.

Com o peso de uma crise familiar dessa magnitude, somado ao peso do julgamento, a mãe de Aline acrescentou mais um item ao seu já pesado fardo de responsabilidades: pagar uma escola particular. Lá, Aline conheceu o judô. 

“Esse meu 1º sensei foi uma pessoa muito importante. Quando eu tinha uns 15 anos, ele me levou para treinar no Centro Olímpico da Prefeitura de São Paulo com os filhos dele. E lá eu conheci a pessoa que mudaria tudo: Joenilson Rodrigues, sensei de judô que também dava aula de luta olímpica. Desde o início, ele já insistia para eu ir para a luta. E eu resistia, não queria, porque era um esporte pouco conhecido. Achava até que era pouco praticado no mundo, não só no Brasil”, lembra. “Mas ele foi bem insistente, e acabou mudando minha vida”.

O Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) é o equipamento da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEME) voltado ao esporte de alto rendimento. Na prática, isso significa que ele funciona como um clube com foco em esportes olímpicos, levando crianças e jovens de 5 a 19 anos que tenham certo nível de desempenho para competições municipais, estaduais, nacionais e até internacionais. Ele é palco de muitas seletivas.

Hoje, dona Lídia tem uma caixa com, por enquanto, 190 medalhas da filha. Entre elas, a prata no Mundial de 2014, e duas medalhas de Pan-Americano.

Fora do tapete, Aline luta também por uma sociedade mais justa com as mulheres. Tem um projeto social que leva esporte, inglês e autoestima para meninas, e foi eleita a Mulher do Ano 2018 pela Federação Internacional de seu esporte. Consciente, ela vê com gratidão e emoção o sacrifício de sua mãe, mas não glamuriza a abnegação feminina.

Para compensar o que a mãe abriu mão, ela também luta. “Essa é a nossa forma de demonstrar amor. Não somos muito de ficar falando eu te amo, muita coisa de carinho. Mas a gente demonstra com atitude. Ela é tudo pra mim.”